sábado, 11 de junho de 2011

Contra a Democradura*


A maior vitória das elites civis e militares que comandavam a ditadura foi ter feito os trabalhadores, no início dos anos 1980, acreditarem que a tinham derrotado.
Por Danilo Dara

Passados cerca de 30 anos, hoje podemos afirmar sem medo de errar: a maior vitória obtida pela última ditadura no Brasil foi a maneira como ela impôs a “redemocratização” do país. De forma similar ao que já tinha ocorrido por aqui durante a (falsa) Abolição em 1888, quando as elites escravocratas se anteciparam às pressões abolicionistas e assinaram a abolição formal que era mais conveniente para elas – sem qualquer reparação real aos negros escravizados, a maior vitória das elites civis e militares que comandavam a ditadura no início dos anos 1980 foi ter feito os trabalhadores acreditarem que a tinham derrotado [1]. Como sempre, diante da possibilidade de qualquer perda de controle, as elites brasileiras se não podem recorrer ao massacre, optam pela assimilação e falsificação dos anseios das classes populares.

E, sem desmerecer toda a verdadeira pressão exercida à época por trabalhadores organizados, pelo fim da ditadura e pelas “Diretas Já”: nunca antes na história deste país um “longo programa de transição”, anunciado com todas as letras pelos generais fascistas de turno (Geisel e Figueiredo), seria tão bem incorporado dali em diante pelas “forças progressistas e democráticas” que se organizavam forte e sinceramente para derrubá-los, e para tentar transformar a sociedade como um todo: uma “Abertura lenta, gradual e segura”.

Ora, tem sido uma transição tão Lenta que, ainda hoje, passados cerca de 30 anos de seu início, somos obrigados a lidar com os arquivos da dita-cuja ainda fechados a sete-chaves (tendo os generais forjado a Anistia exigida originalmente pelos resistentes); com muitos corpos de militantes da resistência ainda desaparecidos, e suas mortes não-esclarecidas; e com todos os agentes civis e militares do período agindo por aí, impunemente, na ativa pública ou na segurança privada, sem terem sido julgados e punidos nos devidos termos da própria lei “democrática”.

Tem sido uma transição tão Gradual que, somente cerca de 20 anos depois, absolutamente seguros de que não teriam seus principais interesses econômicos e políticos sequer tocados, é que entregariam a presidência ao primeiro ex-operário e seu controlado partido de “trabalhadores”.

E, finalmente, uma transição tão Segura que - aqui talvez o mais importante de tudo: manteve-se o aparato repressivo, penal e policial, intacto em muitos sentidos. Quando não mais sofisticado, aprimorado e ainda mais brutal - agora voltado totalmente contra a população pobre, indígena-descendente e negra, principalmente, das periferias das grandes cidades do país.

Uma “transição permanente”, em suma.

A “Era das Chacinas”
Não tivesse sido assim, não teria se iniciado no Brasil – logo na sequência da promulgação da tal “Constituição Cidadã” (em 1988), aquilo que os companheiros e companheiras da Rede Contra Violência do Rio de Janeiro chamam de a “Era das Chacinas”, cujo marco de nascimento fora justamente a terrível Chacina de Acari, em julho de 1990. De lá pra cá, conforme vamos cada vez mais “aprofundando essa tal democracia”, temos vivido uma série sem fim de matanças e massacres populares cotidianos, que têm como casos emblemáticos a Chacina de Acari (1990), o Massacre do Carandiru (1992), da Candelária e de Vigário Geral (1993), de Corumbiara (1995), de Eldorado dos Carajás (1996), da Praça da Sé e de Felisburgo (2004), a Chacina da Baixada Fluminense (2005), os Crimes de Maio (2006), do Complexo do Alemão (2007), do Morro da Providência (2008), de Canabrava (2009), a Chacina de Vitória da Conquista e os Crimes de Abril na Baixada Santista (2010)… E por aí infelizmente temos ido... Entre tantos outros episódios! Uma verdadeira “Democradura”, ou “Democracia Totalitária”.

Os Crimes de Maio de 2006, que agora completam 5 anos, foram o acontecimento mais brutal e mais emblemático até aqui desta “nova era democrática”: mais de 500 pessoas assassinadas, em menos de 10 dias, somente no estado de São Paulo, por agentes policiais e grupos de extermínio em pronta “defesa da ordem”. O maior massacre da história contemporânea brasileira. Em pouco mais de uma semana, foram mais jovens pobres e negros assassinados do que durante todos os mais de 20 anos de terrível ditadura civil-militar assassinaram nas fileiras de seus opositores, em todo o país. Assim como para os antigos ditadores, até aqui nenhum dos atuais exterminadores foi devidamente julgado e punido.

Mais uma terrível expressão daquilo que vínhamos tratando: diante da menor possibilidade de perda de controle (neste caso era o controle da cidade de São Paulo que estava em jogo), a pronta reação vem ou na forma do Massacre puro e simples; ou, quando se avalia não ter força suficiente para tanto, na forma da Assimilação e da Falsificação (“quando não pode com seu inimigo, ‘junte-se’ a ele”, recomenda o ditado popular). Em Maio de 2006 foi o Massacre que falou mais alto durante aquela semana, até que se retomassem as negociações rotineiras, e a “guerra de baixa intensidade” do normal dia-dia. Neste ano de 2011, já foram mais de 100 pessoas assassinadas por policiais no estado de São Paulo, sob a verdadeira "licença para matar" da rubrica "resistência seguida de morte".

Eterno aprimoramento da democracia
É este o melhor retrato da “democracia” que inúmeros setores da classe trabalhadora e das chamadas esquerdas têm se engajado e se especializado em gerenciar, aprimorando-a constantemente nos últimos anos aqui no país. É trágico, mas é real. E, é óbvio: ganhando cada vez mais dinheiro, cargos, status, e poder com isso, distanciando-se progressivamente da maioria que vive nos fundões sociais – ainda que possam manter a retórica classista e de esquerda. Partidos Socialistas e de Trabalhadores, Centrais Sindicais, inúmeras ONGs, vários Movimentos Sociais de maior ou menor envergadura: todos absolutamente engajados e dedicados ao “fortalecimento das instituições” e ao “aprofundamento da democracia” deste Estado Brasileiro. Logo deste…

Ou não têm sido inúmeros os setores da chamada “esquerda histórica” aqueles que têm aprimorado os instrumentos de gestão e controle do Estado Brasileiro frente a sua população, principalmente, ao longo dos últimos 10 anos?! Sim, o mesmo Estado que anunciou recentemente, no “Mapa da Violência no Brasil” (de 2011), divulgado pelo insuspeito Ministério da Justiça, que neste pujante Brasil Redemocratizado matou-se mais de 500.000 pessoas de 1998 a 2008, sendo a grande maioria jovens pobres e negros, nascidos e criados nas periferias do país.

É, portanto, nos bairros populares e nas periferias que a verdade desta democracia capitalista tem comido solta, nua e crua: tanto sua face mais brutal e violenta, encarnada na polícia e nos grupos de extermínio de alguma maneira ligados ao estado, os quais sabem ser a periferia o território principal a ser controlado e “pacificado”; como a face mais bonita, poética e verdadeiramente revolucionária, porque de negação do atual estado das coisas, e de tentativa de afirmação – em alguns espaços autônomos incipientes, de cultivo à coletividade - de um Novo Homem e uma Nova Sociedade possível.

Afinal, sabemos: se depender dos velhos partidos, das velhas máfias sindicais, de direita ou de esquerda, deste oceano de ONGs, mesmo dos velhos movimentos sociais e outros espaços burocratizados: nada de novo sairá deste matagal, deste verdadeiro deserto, a não ser o lento, gradual e seguro aprofundamento da democracia deles. A não ser, portanto, o cumprimento integral do programa anunciado pelos Generais Geisel e Figueiredo, os últimos dos ditadores. Uma transição lenta, gradativa, segura e indefinida... Uma transição permanente, ou a perene “consolidação da democracia”. Felizes para sempre…

Contra esta pasmaceira, do limite da Dor e da Luta, começam a nascer Novas Flores e Movimentos verdadeiros, como as Mães de Maio de SP, a Rede Contra Violência do RJ e tantas outras movimentações periféricas, surgidas do Luto e da Busca pela Verdade de quem realmente Necessita de Mudanças Reais e Radicais, Urgentes, por Justiça e Liberdade. Sem nada nem ninguém intermediando os sentimentos, as decisões, as palavras e a organização de Outro Viver.

Ao que tudo indica, o caminho está apenas no começo e, como sempre, não será nada fácil. Persistência, porém, dá pra sentir que não faltará.

Danilo Dara é historiador.

* Texto recém-publicado no livro Mães de Maio – Do Luto à Luta (Movimento Mães de Maio, Nós por Nós, 2011), lançado no dia 12/05/2011, quando se completaram 5 anos dos Crimes de Maio. Para mais informações sobre o livro, e como adquirí-lo: http://www.maesdemaio.blogspot.com .

[1] Foi o professor e parceiro Paulo Arantes quem, até onde tenho notícia, denominou esta derrota-na-vitória da classe trabalhadora nos termos aqui grifados. A ele um Salve! pela precisão desta formulação, e por tantos outros desvios críticos fundamentais sobre a forma atual da guerra de classes.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

#marchaanticanhotismo

Pra quem não sabe o que foi a #marchaanticnhotismo segue a sátira que o blog Blue Voador fez: 

Já não bastam os problemas educacionais do Brasil, agora cada vez mais as pessoas estão afrontando os valores da família brasileira. Nossa sociedade está cada vez mais libertina, a mídia cada vez mais amoral, e agora tentam instrumentalizar o Estado para incentivar e coadunar com a iniquidade em nosso país.

Primeiro o Ministério da Educação aprova um livro que ensina a falar errado, agora o MEC quer ensinar nas escolas que também não existe jeito certo de escrever.
Basta! Nós, brasileiros direitos, não vamos ser enganados: sabemos muito bem que há um jeito de escrever direito, de cozinhar direito, de dirigir direito, de se pentear direito. A verdade que o MEC e, é claro, os esquerdistas (o nome já diz tudo) querem esconder está clara até no dicionário:

DESTRO: adj. Perito; ágil; sagaz; hábil; jeitoso. des.tro

(Silveira Bueno, FTD, 2000.)
Diversidade tem limites. Nós temos o direito de não deixar que nossas crianças sejam alvo de propaganda de opção manual, qualquer que seja.
Não somos canhotofóbicos: amamos os canhotos, mas não podemos ser obrigados a apoiar a prática do canhotismo. Consideramos esta opção manual uma aberração da natureza, uma degeneração dos propósitos para os quais nosso Criador nos fez. Ele criou a mão direita para que ela fosse nosso instrumento sagrado de trabalho (ou lazer), e a mão esquerda para que seja um belo instrumento de apoio ou complementação ao que faz a mão direita, e não o contrário como fazem os canhotos!
No Sagrado Papiro da nossa religião, a verdade nos foi revelada tal como está no dicionário: o canhoto é o sinistro, o impuro, e o mal estará sobre tudo o que é feito com a mão esquerda. O canhoto é um insensato que escolhe uma forma imunda de agir, e todo canhoto ferverá no chá eterno do Bule Voador – que o chá esteja nele.
O Bule Voador – que o chá esteja nele – ama os canhotos, mas odeia o canhotismo. O Bule Voador – que o chá esteja nele – é uma infusão pura de amor, mas também é fervura consumidora. Ele nos criou DESTROS, de sua própria porcelana santa.
Se continuarem nossas políticas públicas condescendentes, que fazem apologia do canhotismo, o Brasil estará assinando o atestado de ser uma ditadura canhota que cerceia nossa liberdade religiosa e nossa liberdade de expressão.
Quantas vezes mais pessoas morrerão no trânsito por causa de motoristas canhotos, falsamente descritos pela mídia canhota como “bêbados”? Quantas vezes mais açougueiros que se dizem médicos deformarão e matarão em cirurgias por usar a mão imunda (esquerda)?
A mídia canhota internacional é tão influente que criou uma série com um assassino chamado “Dexter” (destro) para fazer sua propaganda pecaminosa! E esta moda está se infiltrando no Brasil.
Não é à toa que todos os movimentos políticos que mais mataram na História são aqueles que se alinham com os que estavam à esquerda do rei da França (a “Esquerda” política)!
Chega de destrofobia: participe da 1ª Marcha Anticanhotismo da Família com o Bule pela Liberdade. Vamos à marcha!
Embebido em Sua Graça,
Eli Vieira
Diácono da 2ª Diocese Buleira Losangular do Sétimo Chá de Porto Alegre.
Já não bastam os problemas educacionais do Brasil, agora cada vez mais as pessoas estão afrontando os valores da família brasileira. Nossa sociedade está cada vez mais libertina, a mídia cada vez mais amoral, e agora tentam instrumentalizar o Estado para incentivar e coadunar com a iniquidade em nosso país.

Primeiro o Ministério da Educação aprova um livro que ensina a falar errado, agora o MEC quer ensinar nas escolas que também não existe jeito certo de escrever.
Basta! Nós, brasileiros direitos, não vamos ser enganados: sabemos muito bem que há um jeito de escrever direito, de cozinhar direito, de dirigir direito, de se pentear direito. A verdade que o MEC e, é claro, os esquerdistas (o nome já diz tudo) querem esconder está clara até no dicionário:

DESTRO: adj. Perito; ágil; sagaz; hábil; jeitoso. des.tro

(Silveira Bueno, FTD, 2000.)
Diversidade tem limites. Nós temos o direito de não deixar que nossas crianças sejam alvo de propaganda de opção manual, qualquer que seja.
Não somos canhotofóbicos: amamos os canhotos, mas não podemos ser obrigados a apoiar a prática do canhotismo. Consideramos esta opção manual uma aberração da natureza, uma degeneração dos propósitos para os quais nosso Criador nos fez. Ele criou a mão direita para que ela fosse nosso instrumento sagrado de trabalho (ou lazer), e a mão esquerda para que seja um belo instrumento de apoio ou complementação ao que faz a mão direita, e não o contrário como fazem os canhotos!
No Sagrado Papiro da nossa religião, a verdade nos foi revelada tal como está no dicionário: o canhoto é o sinistro, o impuro, e o mal estará sobre tudo o que é feito com a mão esquerda. O canhoto é um insensato que escolhe uma forma imunda de agir, e todo canhoto ferverá no chá eterno do Bule Voador – que o chá esteja nele.
O Bule Voador – que o chá esteja nele – ama os canhotos, mas odeia o canhotismo. O Bule Voador – que o chá esteja nele – é uma infusão pura de amor, mas também é fervura consumidora. Ele nos criou DESTROS, de sua própria porcelana santa.
Se continuarem nossas políticas públicas condescendentes, que fazem apologia do canhotismo, o Brasil estará assinando o atestado de ser uma ditadura canhota que cerceia nossa liberdade religiosa e nossa liberdade de expressão.
Quantas vezes mais pessoas morrerão no trânsito por causa de motoristas canhotos, falsamente descritos pela mídia canhota como “bêbados”? Quantas vezes mais açougueiros que se dizem médicos deformarão e matarão em cirurgias por usar a mão imunda (esquerda)?
A mídia canhota internacional é tão influente que criou uma série com um assassino chamado “Dexter” (destro) para fazer sua propaganda pecaminosa! E esta moda está se infiltrando no Brasil.
Não é à toa que todos os movimentos políticos que mais mataram na História são aqueles que se alinham com os que estavam à esquerda do rei da França (a “Esquerda” política)!
Chega de destrofobia: participe da 1ª Marcha Anticanhotismo da Família com o Bule pela Liberdade. Vamos à marcha!
Embebido em Sua Graça,
Eli Vieira
Diácono da 2ª Diocese Buleira Losangular do Sétimo Chá de Porto Alegre.


Fonte:  bulevoador

sábado, 4 de junho de 2011

Cartazes no CCJ!

http://www.youtube.com/watch?v=-_IoF5WF4Kk

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Matematização do Mundo

" Segura de si, a autoridade não necessita de, a cada instante, fazer o discurso sobre sua existência, sobre si mesma. Não precisa perguntar a ninguém, certa de sua legitimidade, se "sabe com quem está falando?". Segura de si, ela é porque tem autoridade, porque a exerce com indiscutível sabedoria "

FREIRE, Paulo (Pedagogia da Autonomia)

Para analisar as consequências da matematização nas relações sociais, na ciência e na construção do saber em instituições como a escola e a família, é preciso questionar o conceito de conceito, a função, origem e produção do método utilizado, a fabricação da verdade enquanto instrumento político de intervenção na vida dos cidadãos. O conceito é uma ferramenta de análise, classificação e delimitação de um fenômeno. A metodologia que o pesquisador utiliza não é neutra, tampouco escolhida acidentalmente.

Se falo algo, falo partindo de um pressuposto, tenho que constantemente exercer vigilância epistemológica para que as outras pessoas consigam compreender. Por isso é necessário levar em conta quem é "você", o que deseja, como se veste, o que lê, relações de gênero, como se posiciona politicamente entre outros aspectos que fundamentam um indivíduo.
***

O método científico, é um poderoso meio para impor uma verdade sem que ela pareça uma opinião individual, mas um consenso da comunidade científica descoberto no cotidiano. Isso está impregnado no discurso pedagógico e, consequentemente, na política.

A racionalização que lidamos diariamente ao acordarmos para trabalhar, na hora do almoço, do jantar, quando temos que dormir, ou fazer algum tipo de planejamento, é tão implacável na disseminação das informações como num filme de Godard, onde a beleza estética, o rigor de cada frase é tamanha, que produz um charme irresistível ao espectador contemplativo.

A segurança que o cotidiano proporciona - com seus hábitos naturalizados nos mais variados campos - e a rotina mecânica, são tão fortes que nos amortece a vontade de pensar sobre os fenômenos que nos cercam. Como culpar os cidadãos por aceitarem tão passivamente a maior parte do que é dito pela mídia e governo? É uma injustiça e imoralidade no país que vivemos, sobre tais condições que somos submetidos, atacar aqueles que se afastam do pensamento crítico e subversivo.

A população atualmente exige o mínimo para viver com dignidade; trabalha e cumpre o seu papel democrático quando é feita a convocação. Delegamos poder a pessoas que "detêm a razão" para julgar assuntos que são do nosso interesse, mas que por questões de ordem e tempo permitimos que decidam por nós o que vai nos beneficiar, representar e satisfazer as demandas materiais e sociais.

***

Outro fator relevante na discussão do saber racional é a produção de segregacionismo ideológico na sociedade moderna, tendo em vista que essa matriz racionalista que apresentarei a seguir faz parte de um império global.

Caso exista algum indivíduo que não tente pensar dentro da lógica matemática para organizar sua vida em passado, presente, futuro, cedo ou tarde, bom ou mau, certo ou errado, dia ou noite, triste ou feliz, louco ou normal, estaria fadado a não compreender o mundo de forma binária, em sistemas fechados e abertos. E, por conseguinte, a grande parte da população também não lhe compreenderia. Criamos um monstro tão grande e opressor que não vemos nada além dele.

Chegamos ao ponto de considerar que a razão é imanente ao ser humano. E não uma construção socio-político-cultural. A natureza humana feita em laboratório, difundida nas universidades e entregue diretamente em nossas casas através da televisão. Dessa forma, é coerente afirmar que somos iguais, independente de cor, religião, e nacionalidade. Qualquer semrazão que acidentalmente encontrássemos pela rua seria tratado como Gregor Samsa. O diferente fere a nossa segurança ontológica. É cruel constatar que somos os assassinos da diversidade porque naturalizamos uma verdade, um sistema, um método para apreender o mundo. Heidegger (1889-1976) dizia que a morte é a ausência de possibilidades.

Que tipo de civilização está sendo construída quando somos motivados (de maneira velada) a um conformismo político e filosófico? Infelizmente poucos têm acesso ao ócio necessário para refletir sobre sua própria existência. Entretanto, Max Stirner (1806- 1856) acreditava na possibilidade de “libertar o ser humano da servidão aos fantasmas criados por ele próprio, e às condições sociais”. O problema é que o fantasma, aqui entendido como convicção, está enraizado na cultura e na educação desde a infância.

A formação é descartada para dar lugar a uma pedagogia da informação, a construção do saber é deixada de lado sendo posteriormente substituída pela reprodução de velhas fórmulas para vivermos em harmonia com as instituições que nos darão recompensas por cada manifestação de bom comportamento: Salvação divina, ascensão social e financeira, portanto, sucesso e reconhecimento. A matematização do cotidiano é fundamental para o ser humano controlar o mundo que habita. Alheios a essa lógica de organização psico-socio-cultural perdemos nossa identidade. É como se não existíssemos.

***

O positivismo elaborou um sistema ideológico que considerava os fatos verdadeiros em si mesmos. Dessa forma, os fatos informam o que são e o indivíduo está sujeito apenas a receber o conhecimento pronto, em outras palavras, é preciso apenas coletar informações puras que necessitam ser "descobertas". É interessante - neste caso - lembrar a máxima nietzschiana “Não existem fatos morais, apenas interpretações morais dos fatos”. Ocorre que o positivismo retira do homem a responsabilidade da produção do saber.

Hoje julgamos que até o instrumento de análise é parte integrante do conhecimento obtido em campo. Diferentes instrumentos e pesquisadores (com outras metodologias) produzem questionários diversos, o que aumenta a complexidade quali-quantitativa da pesquisa em Ciências Sociais.


Fonte: Resistencialismo

terça-feira, 31 de maio de 2011

02 de Junho: Dia Internacional da Prostituta


Em 1975 na cidade de LYON 150 PROSTITUTAS francesas OCUPARAM a IGREJA protestando contra a REPRESSÃO POLICIAL, MULTAS, PRISÕES e até ASSASSINATOS de colegas, que não eram investigados.
O movimento se ESPALHOU e IGREJAS de outras quatro cidades, inclusive PARIS,foram ocupadas.


Além disso, houve GREVE de SEXO comercial.
No DIA 11 de junho, a POLÍCIA invadiu as capelas e EXPULSOU as MULHERES aos SOCOS e PONTAPÉS.
Só que o MUNDO inteiro tinha acompanhado o PROTESTO. O resultado foi a CRIAÇÃO da ASSOCIAÇÃO DE PROSTITUTAS FRANCESAS. Com a REVOLTA, a LUTA pelo RESPEITO às MULHERES da VIDA ganhou FORÇA, multiplicando a ORGANIZAÇÃO em diversos países. É pra COMEMORAR.
texto- BEIJO DA RUA, maio de 2002 COLUNA -NO PONTO
AUTOR- FLÁVIO LENZ

Em todo o BRASIL existem 35 ASSOCIAÇÕES mobilizadas em defender e criar um diálogo permanente com a sociedade sobre os direitos da mulher. MULHERES SÃO IGUAIS EM QUALQUER PROFISSÃO.  Segue o princípio do respeito ao ser humano na sua divesidade social de pensamento, costume, raça, crença, religião e PROFISSÃO.

SAUDAÇÕES a todos e a todas: DIA 02 de junho -  DATA HISTÓRICA em todo o PLANETA... Acontece um dos mais importantes eventos populares de RESISTÊNCIA e AÇÃO CULTURAL:
O DIA INTERNACIONAL da PROSTITUTA.
Uma programação cultural, esportiva, holística, educacional e ambiental irá OCUPAR o ESPAÇO da rua da AREIA servindo como INSTRUMENTO de CONTRIBUIÇÃO, REFLEXÃO, ATITUDE e TRANSFORMAÇÃO em nossa SOCIEDADE. Uma realização da AGÊNCIA ENSAIO e da ASSOCIAÇÃO das PROSTITUTAS da PARAÍBA.

quando? dia 02 de junho  (quinta-feira)
que horas? a partir das 19h07min
onde? rua da areia no centro histórico da cidade de joão pessoa
LIVRE - leve a sua família, seus amigos...
SEM JULGAMENTOS

sábado, 28 de maio de 2011

Mudanças no Código Florestal Brasileiro

Vozes do Madeira


Vozes do Madeira retrata a luta das comunidades ribeirinhas no Rio Madeira, em Rondônia, contra a violência das empresas que se apropriam de seu território para a construção de duas usinas hidroelétricas - Santo Antonio e Jirau. O documentário representa uma denúncia contra o modelo energético que beneficia grandes empresas nacionais e estrangeiras e deixa uma herança de destruição para a população local e para os trabalhadores.

Produção: Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, Movimento dos Atingidos por Barragens e Comissão Pastoral da Terra.

Disponível no sítio: